BEIJO
(na Liturgia)
Desde os tempos mais remotos que na
Liturgia da Igreja o beijo tem sido usado como sinal de respeito e de amor
pelas
coisas sagradas, e como uma espécie
de selo, para cada coisa a que está ligada uma oração própria.
Era assim para as vestes
sacerdotais da Missa, como para os utensílios que iam ser usados na celebração.
Beijavam-se as galhetas,
beijavam-se as velas e todos os objectos com significado religioso, cruzes,
medalhas, estampas,
etc.
O
Altar
Na Liturgia da Missa, o Sacerdote,
à chegada e à despedida, beija sempre o Altar.
Para nós, os católicos, o Altar não
é apenas uma peça do mobiliário da Igreja.
Ele está carregado com uma enorme
quantidade de símbolos preciosos de toda a espécie.
Juntamente com o púlpito o Altar é
o lugar donde se proclama a Palavra de Deus, e o ponto focal do nosso encontro
com
Deus Pai, através de Seu Filho
Jesus Cristo.
Se a Liturgia da Eucaristia é o
acontecimento central que nos traz o Pai, através de Seu Filho - Por Ele e com Ele - o Altar,
à volta do qual tudo isto acontece,
é para nós, o lugar de maior honra e dignidade.
As Instruções Gerais do Missal Romano, dizem :
255.- O Altar, em
que se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais, é também
a mesa do Senhor, na
qual o povo de Deus, na Missa, é convidado a participar. É
ainda o centro da acção de graças celebrada na Eucaristia.
É por esta razão que as Instruções Gerais do Missal Romano nos
indicam :
27. Em sinal de
veneração, o sacerdote e o diácono beijam o Altar...
85. O sacerdote
sobe ao Altar e beija-o em sinal de reverência...
Ver: Altar; Missa.
O
Missal ou Evangeliário
Como sinal de respeito e veneração
pela Palavra de Deus, antes de ler o Santo Evangelho o celebrante, acompanhado
pelos fiéis, fazem com a sua mão
direita, três cruzes, respectivamente na fronte, nos lábios e no peito.
E no fim de nos ler o Evangelho, o
celebrante beija o Missal.
O significado das três cruzes é o
de que Deus, cuja palavra nós vamos ouvir, nos ilumine a mente, nos purifique
os lábios e
nos santifique o coração.
O beijar o Missal, no fim, é um
acto público de reverência e respeito pela Palavra de Deus.
É assim como uma espécie de
juramento sobre a autoridade da Palavra de Deus, a quem nós adoramos através de
um
gesto que nos sai bem do fundo
coração e em que nós pomos todo o nosso amor.
O Sinal da Cruz
Pouco depois da recitação colectiva
do Pai Nosso, e segundo as rubricas do Missa, o Sacerdote, de braços abertos,
diz em
vos alta:
- "Senhor Jesus Cristo,
que dissestes aos vossos Apóstolos: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não
olheis aos
nossos pecados, mas à fé da Vossa
Igreja; e dai-lhe a união e a paz, como é da Vossa vontade. Vós que sois Deus,
com
o Pai» na unidade do Espírito
Santo.
E o povo responde:
Amen.
O sacerdote continua:
A paz do Senhor esteja sempre
convosco.
O povo responde:
O amor de Cristo nos uniu.
E depois o Celebrante termina :
• Saudai-vos na paz de
Cristo.
E as rubricas do Missal orientam :
"E todos manifestam uns aos outros a paz e a
caridade, de harmonia com o rito tradicional".
Portanto as pessoas, entre si,
devem usar o gesto mais apropriado, de harmonia com as relações habituais, o
beijo, o
abraço, ou um simples aperto de
mão, como o fariam noutras circunstâncias de um cumprimento normal.
O Sinal da paz ou o Beijo da paz ou
o Ósculo da paz, está entre os antigos ritos, ligados à celebração da
Eucaristia.
Pelo menos cinco vezes o N.
Testamento fala do ósculo santo ou ósculo
da caridade.
É, portanto, provável que este rito
ou cerimónia faria parte da liturgia desde os primeiros tempos da Igreja.
De certeza nós sabemos que o beijo
era uma expressão de unidade entre os Cristãos, pelo ano 150, e constituía uma
parte regular da Liturgia
Eucarística.
Durante séculos a PAZ (era assim que se chamava), foi
evoluindo entre as pessoas e foi-se adaptando às circunstâncias e
aos costumes.
Durante a Idade Média, esta prática
da Paz, era observada apenas entre o clero presente com um simbólico abraço em
que se trocavam estas palavras (normalmente em latim) : O
Senhor esteja contigo; e com o teu espírito.
E assim chegou até aos nossos
tempos em que foi introduzido de novo o gesto do beijo da Paz.
Este gesto está intimamente ligado
ao rito da Comunhão, para que nos aproximemos da Sagrada Eucaristia, mas só
depois de manifestarmos o nosso amor
e perdão aos nossos irmãos.
Nos princípios, este rito era no
início da Missa, mas logo se reconheceu que devia estar junto da Comunhão, o
Sacramento
que nós consideramos o "sinal
de Unidade e o Prisioneiro do amor".
Se realmente acreditamos que,
recebendo a Eucaristia, nós partilhamos da mesa e do alimento que Jesus
preparou para
exprimir e edificar a nossa unidade
familiar, como irmãos e irmãs, não se compreende que alguém possa considerar o
beijo da paz, como um gesto
desnecessário.
Um aperto de mão, um abraço ou um
beijo, podem não ser o melhor gesto de paz.
Mas, por imperfeitos que eles
sejam, todavia eles trazem consigo a mensagem de que nós necessitamos para
entendermos que estamos a celebrar
a Eucaristia juntamente com Cristo e como Ele quer que ela seja celebrada.
S. Justino, mártir do século II,
escreveu no ano 155, para explicar ao
imperador pagão Antonino Pio (138-161), o que
fazem os cristãos, o seguinte :
(...)
Terminadas as orações, damo-nos um ósculo, uns aos outros. (cf. CIC 1345).
Depois da Sua ressurreição Jesus
apareceu aos Seus discípulos e saudou-os assim:
- A paz esteja convosco.
Foi, portanto, uma saudação que se
tornaria habitual entre eles e que eles haviam de usar frequentemente e, de
modo
especial, nos momentos mais
solenes.
Com o andar dos tempos esta
saudação talvez se tenha perdido, pelo menos durante a celebração da
Eucaristia.
Por isso o Concílio Vaticano II a restaurou.
Jesus tinha prometido aos Seus
discípulos uma paz que o mundo não pode dar; uma Paz que não se alcançaria pelo
esforço humano, mas que seria um
Dom de Deus :
- Porque agradou a Deus que residisse n’EIe toda a
plenitude e por Ele fossem reconciliadas Consigo todas as coisas,
pacificando, pelo sangue da Sua Cruz, tanto as da Terra
como as do Céu. (Col. 1/19).
Quando nós somos convidados a
partilhar o Sinal da Paz uns com os outros, durante a Missa, imediatamente
antes da
Comunhão, somos convidados a
desejar a paz do Reino de Deus a todo o mundo.
O Beijo da Paz ou o Sinal da Paz
era um gesto de hospitalidade entre os judeus e os Apóstolos queriam continuar
com
esta tradição:
- Saudai-vos uns aos outros com o ósculo da caridade, (1
Pe.5/14).
O mesmo nos lembra S. Paulo :
- Saudai-vos
mutuamente com um santo ósculo.(2 Co.13/12).
Foi o papa S. Gregório Magno (1572-1585)
que colocou o Sinal da Paz onde está ainda hoje, como uma continuação da
Oração do Senhor em que se pede Venha
a nós o Vosso Reino.
Porque a Igreja se tornou mais
clerical e a assembleia mais passiva, o sinal da Paz deixou de ser um gesto
familiar, pelo
que o Concílio Vaticano II o restaurou e hoje é já um gesto muito
vivido pela assembleia,
No N. Testamento a palavra grega
usada para dizer beijo é philema,
derivada do verbo phileim que
significa amar.
Ver: Liturgia. Missa. Sinal da Cruz.