BEIJAR A MÃO (ou o anel)

Os antigos Romanos prestavam um certo culto ao Imperador e beijavam-lhe, não só as mãos, mas até os pés.

Era um gesto de sujeição e obediência, que também se usava para pedir clemência.

Este rito entrou também na corte papal.

O Imperador Justino prestou esta veneração ao Papa João I, (523-526), quando o visitou nos princípios do século VI.

O grande Justiniano também beijou os pés do Papa Constantino, (708-715).

Quando S. Leão IV (847-855),  foi eleito papa, nos meados do século IX, este costume de beijar os pés do papa já era

antigo.

Primeiramente este gesto era observado liturgicamente por dois Subdiáconos - um Latino e outro Grego - na Missa papal

solene.

Ainda hoje é a saudação formal que os cardeais prestam ao novo papa, depois da sua eleição, formalidade que o papa,

evidentemente, pode dispensar.

Ainda neste século houve o costume de beijar os pés ao papa, em sinal de reverência nas audiências privadas, mas,

certamente, esta formalidade, há muito que foi dispensada.

Mas, beijar a mão continua ainda hoje a ser um gesto de veneração, de respeito e submissão, e ao mesmo tempo, de

certa intimidade e afecto.

Os filhos costumavam beijar a mão aos seus pais, senão habitualmente, pelo menos, quando se encontravam depois de

alguma ausência.

Os afilhados e sobrinhos costumavam cumprimentar os seus padrinhos e tios, beijando-lhes a mão e pedindo-lhes a

bênção.

É sinal de cortesia e de muito respeito, um cavalheiro beijar a mão a uma senhora, um gesto que as senhoras muito

apreciam.

Dentro da hierarquia da Igreja, sempre os súbditos beijavam as mãos aos superiores, em sinal de respeito e obediência.

Como o Papa e os bispos usavam um anel, o uso de beijar a mão, passou para o anel, e assim, quando se

cumprimentava o papa ou um bispo, beijava-se-lhe o anel.

Ora este costume de usar um anel tem o seu significado, onde se pode encontrar também a razão porque se beija.

História do Anel

A história do anel, leva-nos até ao tempo dos Egípcios que o usavam de oiro puro, simples, mas forte e com o nome do

possuidor em hieróglifos.

Os pobres usavam anéis pobres, de prata e bronze, ou ainda de loiça ornamentada.

Os Egípcios importantes, usavam anéis com o escaravelho sagrado que servia de sinete, que se usava para representar o

poder, sobre cera nos documentos.

Este costume de autoridade manifestada pelo sinete, chegou também ao papa.

Portanto, como primeira razão para usar o anel era a necessidade de Selar documentos.

Na Roma antiga, o cidadão normal, usava um anel de metal, mas era proibido aos escravos usá-lo.

O uso de um anel de oiro era regulamentado por lei.

Os Embaixadores eram os primeiros que o podiam usar, mas só no cumprimento de um serviço oficial.

Mais tarde, foi permitido também aos Senadores, aos Cônsules e aos sacerdotes de Júpiter; por fim, outros oficiais

podiam adquirir o direito de usar um anel de oiro.

Nos meados do século XV, depois de longas e delicadas conversações, José, o venerável patriarca de Constantinopla, foi

persuadido a visitar o Papa Eugênio IV, (1431-1447), para uma reunião das Igrejas de Leste e Oeste, que estavam

separadas, havia cerca de 400 anos.

Ver : Anel.  Anel do Pescador.  História do Anel. 

O patriarca e os bispos receberam uma gloriosa recepção em Veneza e foram depois por barco até Ferrara, onde os

esperava o papa.

Aí, todo o programa ia ficando comprometido por causa de um beijo.

O Papa Eugénio IV insistia que o patriarca lhe devia beijar os pés, numa recepção pública, em cumprimento do protocolo.

Os Imperadores, os cardeais e bispos, assim faziam, mas os Gregos não aceitavam esse protocolo. Não puderam

começar as negociações para a reunião porque o patriarca não admitia a sua inferioridade perante o papa.

José, o patriarca, permaneceu no seu barco o dia inteiro enquanto os prelados voltaram para trás em satisfação dos seus

compromissos.

Finalmente, Eugénio IV renunciou à cerimónia pública e recebeu em particular o patriarca, com amizade e cortesia.

Assim puderam começar um ano de cooperativas e esperançosas negociações em Ferrara de Florença.

Depois ainda, o Imperador Servus estendeu este direito aos soldados e, por fim, qualquer cidadão livre podia adquirir um

anel de oiro.

Na Bíblia, quando o filho pródigo voltou para casa, seu pai mandou que lhe pusessem um anel no seu dedo :

- Trazei depressa a mais bela túnica e vesti-lha; ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés, (Lc. 15/22).

E S. Tiago ensinou-nos que merecem o mesmo tratamento, os que usam anéis nos dedos e os que vestem sordidamente.

De modo que, em caso contrário:

- Não é verdade que fazeis distinção entre vós mesmos e que sois juízes iníquos?(Tg.2/4).

Clemente de Alexandria sugeriu que os Cristãos usassem nos seus anéis símbolos de Fé, como a pomba, o peixe e a

âncora.

Embora alguns Padres e Doutores da Igreja tomassem os anéis como manifestação de luxúria, é evidente que eles já

eram usados pelos cristãos no século IV.

Foi por essa mesma altura que os bispos os começaram a usar, mas ainda não como símbolo de poder e autoridade, mas

como um simples sinete para autenticarem os seus documentos.

No ano 610 o papa Bonifácio IV (608-615), indicava que o anel do bispo devia ser um sinal do sagrado ministério.

Alguns anos depois, o Concílio de Toledo, Espanha, estabeleceu que, quando um bispo deposto for readmitido no seu

ministério, devem ser-lhe restituídos, o seu báculo, a sua estola e o seu anel.

Assim o anel tornou-se um sinal inseparável do ministério episcopal.

Mais tarde, no século XI, a Igreja e o Estado entraram em litígio sobre a lei da Investidura.

Tratava-se de esclarecer se o rei tinha o direito e o poder de conferir ao bispo o seu báculo e o seu anel, que o mesmo é

dizer se o rei tem algum poder na nomeação dos bispos.

Os papas Gregório VII (1073-1085), e Inocêncio III, (1198-1216), insistiram em que o báculo e o anel, são símbolos de

autoridade espiritual, e não podem ser conferidos pelo Estado, mas apenas pela Igreja.

Com o andar dos tempos, o anel do papa e dos bispos começou a ser uma obra de arte, com oiro e pedras preciosas,

sem deixar de ser o sinal da autoridade, no exercido de um ministério. Era um sinal exterior com o seu significado próprio e

muito pessoal. Por essa razão, quando alguém ia cumprimentar o papa ou o bispo beijava-lhe o anel

Quando o papa nomeia um novo cardeal, dá-lhe um simples e modesto anel com uma safira. Depois, o cardeal pode

adquirir um outro, mais enriquecido, ao seu gosto.

Depois do Concílio Vaticano II, antes que os bispos deixassem Roma, o papa João Paulo II, deu a cada um, um anel

dourado.

É possível que, de futuro, o anel dos bispos seja sempre deste género em substituição do tradicional anel de oiro com

pedrarias.

Ver : Anel; Anel do Pescador.