BEIJA-MÃO
Uma expressão que pode ter o
sentido de Ir Pedir Desculpa.
Isto pode acontecer entre duas
quaisquer pessoas, mas aconteceu várias vezes entre a Igreja e o Estado, por
litígios
havidos ou por abuso de autoridade.
O mais conhecido beija-mão é o de Canossa.
O Imperador Henrique IV fez a sua famosa submissão, (isto é, foi ao beija-mão), ao papa S.
Gregório VII
(1073-1085),
em Janeiro de 1077, numa cidade de Toscana, que se chamava
Canossa, onde havia um castelo.
Por causa da simonia - compra e
venda de prebendas eclesiásticas - e por causa da Investidura dos leigos, o
papa
resolveu iniciar um período de
reforma, a bem da Igreja.
O Imperador Henrique IV, porém, que - mercê do título de defensor
da religião, se considerava com poderes especiais
como chefe da sociedade religiosa,
procurou fazer fracassar a reforma e, não fazendo caso da proibição papal,
quanto a
Investiduras, nomeou alguns bispos,
tanto na Alemanha como na Itália.
Admoestado pacientemente, Henrique IV, no seu orgulho, não aceitou as advertências,
de modo que o papa, depois de
muito enxovalhado na noite de Natal
de 1075 na Missa de Santa Maria Maior e
de ser insultado como herege, mago,
adúltero, usurpador, besta feroz e
sanguinária, por uma assembleia legislativa, teve que recorrer à excomunhão.
Os bispos atingidos submeteram-se e
os grandes do Império decidiram a deposição do Imperador , caso se não
arrependesse e se não reconciliasse
com Roma.
Henrique IV, abandonado de todos, resolveu então atravessar os Alpes no
rigor do inverno e dirigiu-se ao Castelo de
Canossa, onde se encontrava o papa,
que ia a caminho da Assembleia de Augsburgo, e era, portanto, hóspede da
condessa Matilde.
Descalço, sobre a neve e
grosseiramente vestido de penitente, bateu à porta do Palácio para implorar
perdão, mas o
papa, para lhe experimentar a
sinceridade do arrependimento, só o recebeu ao fim de três dias, perdoando-lhe
mediante a
promessa de que se apresentaria na
Assembleia que fora convocada, onde responderia às acusações que pesavam sobre
ele e que, entretanto, não
assumiria o governo do Império.
Perante este facto, Gregório
exclamou :
- Na história do papado esplenderão
dois episódios : Leão, ante o qual Átila,
o terrível conquistador, se retira; e Gregório
ante quem Henrique IV se ajoelha em hábito de penitência.
Não interessa agora o que aconteceu
depois, mas sim a importância do facto, o beija-mão de Canossa.
Ainda hoje quando nos queremos
referir a um acto de submissão importante, se diz que se vai a Canossa.
Ver : Canossa. Concordata
de Worms. Investidura.