BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES

Nascido em Lisboa em 1514, professou a Ordem de S. Domingos em 1529.

Religioso de extraordinária delicadeza espiritual, dedicou-se afincadamente, desde o princípio, a procurar a perfeição em todas as coisas.

Aplicou-se com entusiasmo ao estudo das ciências sagradas, obtendo um lugar de destaque na renovação da Teologia, da espiritualidade e da

pastoral, movido pelo zelo da salvação das almas.

Escolhido por D. Catarina para Arcebispo de Braga, só aceitou por obediência ao seu provincial, Fr. Luís de Granada.

Ordenado bispo em 1559 em S. Domingos de Lisboa, partiu imediatamente para a sua Arquidiocese, muito carecida da solicitude pastoral do novo

prelado.

Quando Pio IV convocou o Concílio de Trento para acabar com as heresias, extirpar o cisma e reformar a Igreja, D. Frei Bartolomeu partiu

imediatamente, decidido a esforçar-se por alcançar do Concílio uma renovação eficaz da Igreja.

A acção conciliar de Frei Bartolomeu foi notabilíssima, edificando todos os Padres pelo seu zelo, saber, constância e modéstia, e alguns o trataram

por homem douto e de santíssima vida, e varão cheio de zelo e religiosíssimo prelado.

Numa visita a Roma, durante o Concílio, conquistou definitivamente para o ideal da reforma o papa Pio IV, o futuro S. Carlos Borromeu e outros

cardeais da Cúria Romana, a quem falou da urgência e necessidade de uma profunda renovação da Igreja.

Bartolomeu regressou felicíssimo do Concílio, por trazer decretos que lhe permitiriam dedicar-se completamente e com eficácia ao seu múnus

pastoral na Igreja bracarense.

Porém, as instituições mais poderosas e pessoas das mais influentes na Igreja e na sociedade - escudando-se em velhos privilégios e cativos de

hábitos inveterados - ofereceram tenaz resistência à acção pastoral do Arcebispo, levando até Roma os seus clamores e protestos.

Os sucessivos papas Pio IV, S. Pio V e Gregório XIII, assim como o influente S. Carlos Borromeu, seus conhecidos e amigos do tempo do Concílio e

empenhados em fazer observar os decretos conciliares, depositaram toda a confiança em Bartolomeu, e protegeram a acção renovadora do

Arcebispo.

Aplicou-se prioritariamente à renovação do clero, promovendo e fundando na arquidiocese vários centros de formação doutrinal e espiritual,

cadeiras de pastoral, e o seminário conciliar.

O Colégio de S. Paulo de Braga, embora destinado à juventude em geral, pela sua orientação vincadamente espiritual e moralizante, tornou-se

num verdadeiro alfobre de sãs vocações sacerdotais e religiosas.

Melhorou as condições dos Párocos nas freguesias e elevou-lhes a côngrua, para mais justa e facilmente fazer observar o decreto da residência

deles nas suas paróquias.

O Arcebispo, no afã de melhorar as condições materiais e espirituais do povo, percorria pessoalmente, de quatro em quatro anos, as quase mil e

trezentas paróquias da vastíssima arquidiocese em demorada visita pastoral, passando neste árduo ministério a maior parte do seu pontificado.

A sua acção sócio-caritativa, protegendo viúvas, dotando órfãs, criando bolsas de estudo, acudindo a todos os pobres e miseráveis, especialmente,

nos anos de carestia e na epidemia da peste, revelou a sua caridade heróica.

Bartolomeu, precocemente envelhecido, cansado e doente, no fim de vinte e três anos de actividade episcopal, alcançou do papa Gregório XIII a

resignação à mitra primacial de Braga.

Retirou-se para o convento de S. Domingos de Viana, que havia fundado para proteger melhor a fé e a piedade dos fiéis mais afastados do centro

da diocese.

Faleceu em Viana em 15 de Julho de 1590.

Ainda durante a vida, Bartolomeu gozou de elevada fama de santidade, confirmada por milagres, de tal forma que, na voz do povo, era conhecido

por o Arcebispo santo.