BENEDITINOS

A Ordem beneditina foi fundada por S. Bento, nascido em Núrsia, Itália, no ano de 480 e que veio a falecer em 540, depois de uma vida toda ela dedicada ao monaquismo.

O seu primeiro convento foi erguido no Monte Cassino, no ano de 529, preocupando-se S. Bento em dotar a sua Congregação de um conjunto de regras baseadas essencialmente no amor a Deus, ao trabalho e ao silêncio, bem como na plena comunhão de bens materiais (cada monge nada possui, nada dá e nada recebe) e no espírito de família em que a figura do abade representa o pai.

A regra de S. Bento, foi talvez observada nos mosteiros, da Espanha Ocidental a partir do século VII, mas dela só se encontra uma menção explícita em território portucalense em 959.

Mesmo nesta época os abades escolhiam, desta e doutras regras, os preceitos, segundo os quais governavam as suas comunidades.

A regra Beneditina só começa, provavelmente, a ser observada com exclusão de outras, a partir dos monges de Cluny, que surgem em 910 e chegam até nós depois (1085-1095); o primeiro exemplo conhecido é o do mosteiro de S. Romão de Neiva em 1087.

Os 73 capítulos da Regra de S. Bento regulavam a vida conventual de forma minuciosa, desde as profissões aos cargos conventuais, da alimentação ao vestuário, das horas de sono aos tempos dos ofícios divinos.

Praticar as virtudes da continência perfeita, da pobreza voluntária e da obediência religiosa, eram deveres de todo o monge que, integrado na comunidade abacial, zelava pela cultura da terra e da ciência, ensinando-as ao povo; civilizava e cristianizava os bárbaros que iniciavam as suas investidas, rumo às margens do Mediterrâneo.

Os primeiros mosteiros beneditinos portugueses distinguem-se, pois, por uma influência notável dos costumes cluniacenses, sem que se tenham submetido à obediência de Cluny, com a excepção de Rates e Vimeiro.

Alguns dos costumes visigóticos subsistem, sobretudo na organização da propriedade rural e da família.

O amor ao trabalho fez dos Beneditinos agricultores e copistas, grangeando as Abadias, que surgiram por toda a Europa, um prestígio incomensurável.

A evangelização da Europa, surgida das cinzas do Império Romano ficou, em boa parte, a dever-se a grandes e arrojadas missões beneditinas :

* S. Wilibrordo na Holanda.( Sec.VIII).

* S. Bonifácio, na Alemanha, (Sec. VIII).

* Santo Anscário, na Escandinávia. (Sec.IX).

* No século X surge a grande abadia de Cluny (910), por obra de Guilherme da Aquitânia, e, pouco depois, Cister (1098), por Roberto, abade de Molesme.

Em Portugal, os Beneditinos entraram com o conde D. Henrique, membro da Casa de Borgonha, protectora de Cister.

Rapidamente outros mosteiros se filiaram na ordem dos monges brancos, que adquiriu uma importância capital nos meios eclesiásticos e civis do Reino e se prolongou por toda a Idade Média, a partir do núcleo alcobacense.

A maioria dos conventos beneditinos surgiu antes do século XIV, de norte a sul de Portugal.

Mas não é possível dar uma lista completa dos mosteiros beneditinos antes do século XVI. Podem citar-se, no entanto, alguns dos mais importantes :

* Fundados antes do século XI e que aparecem mais tarde como beneditinos : Arouca, Cete, Lorvão, Paço de Sousa, Tibães, Pedroso e Vairão.

* Fundados no século XI, não se sabe sob que regra : Bostelo, Pendorada, Rendufe, Rio Tinto , Santo Tirso, S. Salvador da Torre e Vilar de Frades.

* Fundados durante o século XII : Carvoeiro, S. Pedro das Águias, Castro de Avelãs, Cucujães, Lafões, Manhente, Palme, Pombeiro, Refojos, Salzedas, Semide, Tarouca e Travanca.

* O período que vai desde o fim do século XI à fundação da nacionalidade, foi o mais próspero na história da Ordem Beneditina.

Os mosteiros tiveram nesta época uma real influência na vida das comunidades rurais formadas à sua volta, na organização social, no repovoamento e na agricultura.

No século XVI, em vésperas do Concílio de Trento, reinava alguma indisciplina.

            A abadia de Fossanova, foi o primeiro mosteiro pertencente à Ordem de Cister, que foi introduzida em Portugal em 1144, com a passagem à obediência a Claraval do mosteiro de S. João de Tarouca, que foi o primeiro mosteiro beneditino que, sem margem de dúvida, se tinha erguido em 1120.

Cada mosteiro vivia para si, a estrutura interna da Ordem era fraca, os padroeiros e comendatários, nomeados estes em virtude de reservas régias ou papais, fizeram piorar a situação.

A necessária reforma surgiu com o Concílio de Trento, não sem que, contemporaneamente, o último abade comendatário de Santo Tirso, D. António da Silva, tenha conseguido, com ajuda régia, trazer para Portugal dois frades castelhanos (Frei Pedro de Chaves e Frei Plácido de Vilalobos), que se empenharam em mudar as coisas.

Todavia a reforma só se toma eficaz depois que estes dois frades de Monserrate entraram para o mosteiro de S. Tirso.

A Congregação Portuguesa é fundada oficialmente em 1567; o seu futuro é assegurado pela supressão dos comendatários, feita pelo cardeal D. Henrique.

A reforma que empreenderam os frades de Monserrate foi tão bem sucedida que o papa Pio V (1566-1572), em 1566, fixou o estabelecimento da Congregação Beneditina que reunia todos os mosteiros sob uma única regra e chefia.

Para que a reforma vingasse plenamente, foi nomeado visitador, Dom Abade de Tibães, frei Pedro de Chaves, mosteiro que, em 1570 acolheu o primeiro capítulo geral da Congregação.

Esta era formada por 22 abadias, sendo 17 antigos mosteiros que se agregaram à reforma e cinco de novo fundados.

Os primeiros foram :

* Nos limites da actual Diocese de Braga, S. Maninho de Tibães, S. Miguel de Refojos de Basto, Santo André de Rendufe, Salvador de Palme e S. João do Ermo de Arnoia.

* Na actual Diocese de Viana do Castelo, S. Romão de Neiva, Santa Maria de Carvoeiro, Salvador de Ganfei, Santa Maria de Miranda e S. João de Cabanas.

* Nos limites actuais da Diocese do Porto, Santo Tirso de Riba d'Ave, Santa Maria de Pombeiro, Salvador de Travanca, Salvador de Paço de Sousa, S. João da Pendorada (ou Alpendorada), S. Miguel de Bustelo e S. Maninho do Couto de Cucujães.

Fundados de novo nos séculos XVI e XVII :

* S. Bento de Coimbra. (Colégio Universitário).

* S. Bento da Vitória no Porto.

* N. Senhora da Estrela e S. Bento da Saúde (Lisboa).

* S. Bento dos Apóstolos (em Santarém).

Os fins do século XVIII, quando as ideias liberais começaram a ganhar corpo na Europa, constituíram um novo período de decadência,

Mas foi a primeira metade do século XIX que precipitou o maior drama beneditino.

Uma lei de 24 de Outubro de 1822, suprimiu alguns mosteiros, só não tendo tido efeito prático porque a Vilafrancada de 1823 impediu tais intentos.

No entanto, logo em 30 de Maio de 1834 o Governo decretava a extinção plena das Ordens Religiosas e o confisco de todos os seus bens.

Este decreto vem pôr fim à Congregação Portuguesa.

Expulsos do país, por vezes vivendo na clandestinidade, os Beneditinos , só pelo ano de 1880 puseram de novo pé em Portugal, pela mão de D. João de Santa Gertrudes Amorim que restaurou S. Martinho de Cucujães.

Depois, em 1892, Singeverga surgiu como novo centro beneditino.

A instauração da República em 1910 constituiu novo período doloroso para as Ordens Religiosas e para os Beneditinos em particular.

Singeverga escapa, mas S. Bento da Saúde, em Lisboa, que antes fora utilizado pela Coroa como hotel para os amigos dos monarcas, é agora a sede do Parlamento, e o Convento de S. Bento da Ave Maria, no Porto, é demolido, (só escapou a fachada), para albergar a estação dos Caminhos de Ferro da actual S. Bento.

 

                           

                               ORA & LABORA

O monge beneditino encontra no seu mosteiro e na comunidade que o habita, um lugar privilegiado de experiência de Deus na presença activa do seu silêncio dos claustros, das celas e dos campos.

"A vocação monástica, segundo a Regra de S. Bento, tem como características específicas a leitura e a escuta da Palavra de Deus no silêncio, no recolhimento e na contemplação, o louvor de Deus na oração pessoal e na Liturgia da Igreja, a partilha fraterna na vida de comunidade e obediência, a estabilidade no mosteiro, o trabalho quotidiano e diversificado de tipo pastoral, intelectual, artesanal, manual a agrícola, o acolhimento, na hospedaria do mosteiro, de todos quantos vivem no mundo e procuram espaços e tempos de reflexão, descanso e oração, a inserção na Igreja e na sociedade local, segundo as necessidades dos tempos, numa linha de fidelidade às exigências da vida monástica".

 

Ver : Institutos de Vida Consagrada. Monte Cassino. Mosteiro de Singeverga; Ordem de Cister; Ordem de Cluny.