BASÍLICA
DA ESTRELA
A Basílica da Estrela (em Lisboa), foi fundada por D. Maria I
em cumprimento de um voto de gratidão por lhe ter sido concedida descendência
ao trono e foi denominada Basílica do Santíssimo Coração de Jesus, a quem foi
dedicada.
Ergueu-se nas terras do Casal da Estrela, frente ao
convento do Senhor Jesus da Boa-Morte (Almoxarifado
da Bemposta do Infantado), doadas à rainha por seu marido e tio, o rei D.
Pedro III.
Entregues ao arquitecto Mateus Vicente e continuadas
por Reinaldo Manuel dos Santos, as obras decorreram entre 1779 e 1790.
A partir de 14
de Novembro de 1789 desenrolaram-se com
grande pompa, durante uma semana, as cerimónias da sagração da Igreja, estando
presentes a família real e os mais altos dignitários do clero.
De Carnide foram depois transferidas para a Basílica e o seu convento as freiras Carmelitas Descalças,
a quem a rainha fez grandes doações.
Artisticamente, é um belo edifício em que domina a pedra-mármore, mandada vir de Pêro Pinheiro, de Cascais e
doutros pontos do País.
De estilo neoclássico, a Basílica sofre, como todos os outros monumentos da época, grande influência estrangeira,
nomeadamente a da arte italiana, a despeito de, como se lê na História de Arte de André Michel, ser então o monumento de Lisboa onde mais se manifestou o
espírito nacional.
A Igreja, de uma só nave, tem planta em cruz latina, com transepto saliente.
É encimada pela capela-mor, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus; no braço esquerdo do transepto fica a
Capela do Santíssimo, comunicando o braço direito com outras capelas e dependências.
Para a Capela-mor abrem duas tribunas, que dão também para o transepto, e ao fundo vê-se o coro.
No cruzamento da nave com o transepto ergue-se a torre-lanterna, o belo zimbório que, juntamente com as
janelas colocadas acima dos seis altares - três de cada lado da nave - ilumina a Igreja.
Um nártex de pedra e um pórtico em madeira entalhada, onde ainda se vêem ferragens de bronze, constituem a
entrada, a que dá acesso um amplo patim com a sua vasta escadaria.
À esquerda do nártex fica a capela baptismal, e à direita o cartório e as dependências já mencionadas.
Na Basílica foram recolhidos os restos mortais de D. Maria I, com túmulo na Capela-mor, e os de D. Frei Inácio
de S. Caetano, arcebispo de Tessalónica, inquisidor e confessor de Sua Majestade.
Apresenta interiormente alguns azulejos - de pouco valor nas dependências da Igreja - e pinturas, entre as
quais se mencionam a obra de Pompeo Batoni, no altar-mor, e a fraca pintura feita pela Infanta D. Maria Ana e pela princesa
Benedita, denominada a Princesa Viúva.
Mas o que dá real valor ao monumento são as esculturas de Machado de Castro, apesar de as de madeira por
ele colocadas nos altares não terem a categoria das outras.
São magníficos o seu presépio de barro e as estátuas monumentais feitas de mármore de carrara, para a realização
das quais teve como ajudantes João José, Alexandre Gomes, José Joaquim Leitão e Fr. José Patrício.
Enquadram-se maravilhosamente na fachada as esculturas e as imagens de Santa Teresa, Santa Madalena de Pazzi,
Santo Elias e S. João da Cruz, além do relevo do frontão triangular, dedicado ao Santíssimo Coração de Jesus.
E para o vestíbulo esculpiu Machado de Castro as estátuas de S. José e da Virgem.
A Basílica da Estrela, com a sua linda fachada e imponente zimbório, ergue-se hoje frente a um belo jardim,
oferecendo larga perspectiva da cidade a quem subir aos terraços que a recobrem.
Ver : Nossa Senhora da Lapa. Presépio.